07 fevereiro 2011

Cercado


Assim me encontro literalmente!
Diariamente vejo nos noticiários os acidentes climáticos, as tragédias ocasionadas por descuido e crimes de ordem passional, intencional e outras piores ainda.
A mais famosa até agora é a da região Serrana do Rio de Janeiro. Minha cidade, Miguel Pereira, não teve nada, mas as próximas foram quase destruídas como Petrópolis, Teresópolis, Nova Friburgo, Itaipava e outras. São inúmeras desgraças. Gente morta, casa perdida e a vida numa “sinuca de bico”. Não há como trabalhar, comprar vender ou até mesmo cuidado eficiente. Doações de muitos lugares chegam por todos os lados. Já se tem notícia de que a Cruz Vermelha e outros órgãos públicos não conseguem receber mais nada de tanta tonelada que chega por dia.
[ Fico impressionado como a solidariedade pra desgraça é virtuosa, mas somos desgraçados para prevenção.]
Enquanto uma turma assistia o jogo de Corinthians e Palmeiras em casa, eu conversava com um rapaz ao meu lado que me dizia ter perdido o irmão há três anos em queda de uma laje, e há um ano e meio a mãe com câncer. Hoje vive só, ainda novo e em formação.
Fiquei pasmo! Próximo a mim, sentado em minha casa vi o rosto da “desgraça” e da solidão, da perda, frustração e sei lá mais o que. Enquanto lutamos pra socorrer os desgraçados de outras cidades o meu vizinho padece!

“Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” Mt.22.39

A grande pergunta é: Quem é o meu próximo? Literalmente meu vizinho, meu amigo, um parente ou quem bate na minha porta? Difícil responder com uma afirmativa, mas se eu pensar que é um amor como a mim mesmo, posso entender que seja apartir de uma identificação. Consigo amar quando consigo entender a dor do outro, porque ela linka com a minha. Quando alguém fala comigo que perdeu a mãe, eu sei o que diz. Perder casa, filho, bens e etc, não faço a menor idéia, logo, dificulto o meu amor porque não sinto nada. Estou fazendo relação do amor com o sentimento, sei disso, mas sem afeto o amor pode soar como falsidade ou busca por mérito. Capite?
Meu próximo é aquele que sintoniza com minha psique! É aquele que me desperta sentimentos projetados, conectados com a minha realidade.
Próximo é todo aquele que me toca por me fazer reviver o que sinto e o que gostaria de sentir.
Veja o que Paulo diz:
“...tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmo sentimento.” Fp.2.2
O que passa disso é solidariedade, compaixão e não amor como a si mesmo!
Agora veja: Vivo cercado por todos os lados! Consultório, igreja, amigos, família e por mim mesmo. 

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